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«Esse plano vem de longe»

Fuentes: Rebelión

No primeiro debate entre os candidatos a presidente da República nas eleições de 1994, o ex-governador Leonel Brizola afirmou o seguinte a propósito do plano real: «este plano vem de longe e tem objetivos muito claros. Adequar o nosso País ao avanço neoliberal». FHC apenas sorriu, como de resto sorriram todos os demais candidatos. Lula […]

No primeiro debate entre os candidatos a presidente da República nas eleições de 1994, o ex-governador Leonel Brizola afirmou o seguinte a propósito do plano real: «este plano vem de longe e tem objetivos muito claros. Adequar o nosso País ao avanço neoliberal».

FHC apenas sorriu, como de resto sorriram todos os demais candidatos. Lula inclusive. Atônito e sem saber para que lado ir. Sabia que o golpe fora no seu fígado e que suas chances passaram a ser mínimas.

Os dez anos do plano real comprovam a afirmação de Brizola. O Brasil é um uma espécie de entreposto de primeira linha do capitalismo internacional. Nos anos que se seguiram foi privatizado em todos os sentidos e as mudanças esperadas sob Lula foram para o brejo.

O governo petista é refém das armadilhas deixadas por FHC e o tamanho político do presidente, um anão, não o permitem encontrar saídas diferentes das ditadas pelo FMI e pelo sistema financeiro internacional.

Matou-se a inflação? Nem tanto. Está domesticada. Como dizia Brizola e o fez em duas oportunidades, no plano cruzado de Sarney e depois no real: «é apenas a compressão da mola inflacionária. Se não houver controle ela retoma com força total.

A realidade social do País é a pior possível. Os trabalhadores vivem com os salários os mais baixos talvez da história. O trabalho escravo no campo recrudesce de forma quase epidêmica. O desemprego atinge níveis estratosféricos.

Em contrapartida os bancos assenhorearam-se do Estado e apresentam lucros fantásticos, sempre maiores que a inflação.

O plano real gerou uma aliança do setor mais atrasado das elites, o latifúndio, com o chamado grupo moderno, empresários da indústria e do setor de serviços, com os capitães do Estado brasileiro, os banqueiros.

Isso resultou na privatização do Estado, sua destruição como instrumento promotor do bem público, e como conseqüência a farsa democrática. Aquela que você vota, é chamado a participar, mas, não pode mudar nada e nem consegue.

A desregulamentação, palavra mágica no ideário neoliberal, chegou a um ponto tal que, na estrutura montada por FHC, o presidente pouco ou quase nada interfere, por exemplo, nos reajustes de tarifas de serviços de telefonia ou energia.

E as companhias, todas sem exceção, são subsidiadas por dinheiro público via BNDES.

Existe uma ação totalitária, um mundo nos moldes do que se viu em «Mad Max», tanto quanto em «1984», ou no «Admirável Mundo Novo», por mais que as pessoas acreditem que bundas e bíceps sejam caminhos para o êxito ou a vitória.

Invasões e ocupações como as que acontecem no Iraque, no Afeganistão. A transformação da Colômbia em base de operações terroristas contra governos como o de Hugo Chávez. A obsessão em destruir a revolução cubana. O massacre do povo palestino pelo Estado terrorista de Israel.

A soma de todos esses fatos sinalizam numa espécie de arremate do processo de criação de um grande império. Começou, a rigor, ao final da 2ª Grande Guerra. Atinge seu ápice com o fim da União Soviética e esparrama-se pelo mundo inteiro no desvario criminoso de George Bush, apenas o momento culminante, pois não foi diferente quando Clinton esmagou partes da extinta Iugoslávia.

O plano real cumpriu esse papel no Brasil. FHC foi agente e instrumento do poder dos novos donos do mundo. Era preciso que fosse alguém como ele. Amoral, sem escrúpulos de qualquer espécie.

E é essa realidade que destrói valores, culturas, tradições, transforma pessoas, seres humanos em meros objetos da nova ordem, é essa realidade que gerou. Nada diferente disso.

O mundo transformado numa grande arena onde os imperadores determinam a vida e a morte com o polegar para cima ou para baixo. É quando um assassino como Ariel Sharon constrói um muro e dispara mísseis contra crianças e mulheres. Quando Bush para demonstrar poder e força arrasa uma cidade. Ou quando um agente de terceira categoria do império, no caso Uribe, permite que seu país se preste a espalhar o vírus recolonizador por toda a América do Sul.

Mas é quando Lula, ele também, envia tropas ao Haiti, garantindo e dando aval a um golpe de estado.

O plano real foi isso. Um chicote que o domador estalou e fez o leão sossegar. No caso o Brasil.