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O show das eleições nos EUA

Fuentes: Rebelión

Um comitê de fascistas que sonha com um Vietnã em cada canto do mundo sai a campo e patrocina um anúncio contra John Kerry, candidato democrata à presidência do país. O comitê é ligado a Bush e ao partido republicano. John Kerry responde que ganhou suas medalhas na guerra e Bush fugiu do serviço militar. […]

Um comitê de fascistas que sonha com um Vietnã em cada canto do mundo sai a campo e patrocina um anúncio contra John Kerry, candidato democrata à presidência do país. O comitê é ligado a Bush e ao partido republicano.

John Kerry responde que ganhou suas medalhas na guerra e Bush fugiu do serviço militar.

O que assusta no cidadão norte-americano é o fato de Bush ter chances de ser reeleito. O líder terrorista vai a uma entidade de veteranos e declara que a guerra contra o terrorismo não pode ser vencida.

No dia seguinte, como as pesquisas mostrassem que a declaração do líder teve péssima repercussão, ele muda o discurso e diz que vai ganhar a guerra contra o terror. Ao que se saiba a maior organização terrorista em atividade é a Casa Branca.

As eleições nos Estados Unidos são um show. E não são poucos os atores que buscam mandatos. Ou para superar o ostracismo, ou ainda eventuais fracassos nos negócios. Foi assim com Reagan, é assim com o Shwazzenegger, governador da Califórnia. Nem é coincidência que ambos tenham sido, nas telas, canastrões típicos de Hollywood, muito menos que estejam à direita de qualquer coisa, inclusive o senso de ridículo.

Mostram-se, no entanto, perigosos.

É difícil entender o cidadão médio norte-americano. A obsessão por batatas fritas, por hambúrgueres, por coca cola, a crença generalizada que a nação tem um dever com o resto do mundo: impor, por ser o melhor, o american way life.

Bush finge que lê (é duvidoso que saiba fazê-lo) e os fotógrafos constatam que o livro está de cabeça para baixo. Fala disparates um atrás do outro. Promove um dos governos mais corruptos da história dos EUA, pratica toda a sorte de atos de terrorismo contra nações indefesas, impõe verdadeiros pacotes draconianos a aliados, some com a importância das Nações Unidas no contexto do mundo e está em empate técnico com um sujeito como Kerry, no mínimo, normal.

Quer dizer, anda com os pés, pensa com a cabeça, come de garfo e faca e, pelo que sei, não tem uma especialista em transformar instintos em políticas.

Eu gostaria de saber como Condolezza Rice recebe e percebe esses instintos.

Uga uga! Bla bla! Deve ter um jeito qualquer para que isso aconteça.

Donald Rumsfeld, um dos ideólogos do IV Reich, é apontado como responsável pelas torturas em prisões iraquianas e continua no cargo, do mesmo jeito, com a mesma cara, sem qualquer reação da opinião pública.

Nem dos meios de comunicação, principalmente desses. Deve existir algo mais que colesterol nos hambúrgueres do McDonald’s. Só pode ser.

Se bem atentarmos para a realidade, Bush é um prodígio. Um sujeito que se cair não levanta, sai andando de quatro, vira presidente da maior nação do mundo, em termos econômicos e militares. Vale-se de uma fraude porca para isso, Inventa a mentira das armas químicas e biológicas no Iraque. Ataca o Afeganistão por nada. Transforma a Colômbia num protetorado sob a ditadura de um narcotraficante. Ameaça Cuba, tenta derrubar o presidente da Venezuela e ainda declara que «estamos importando menos porque estamos comprando menos lá fora».

Com isso tudo e mais alguma coisa corre o risco de ser reeleito.

Há tempos um embaixador brasileiro, ao se justificar com o general Charles De Gaulle, num conflito em torno de lagostas, França versus Brasil, disse que «o Brasil não é um país sério». A frase foi equivocadamente atribuída ao general. Os Estados Unidos não podem ser um país sério. Não com Bush, com Chaney, com Rumsfeld e quejandos.

E há tempos também os Estados Unidos são uma das imposturas democráticas do mundo. Farsa pura, farsa o tempo todo. Bush só fez acentuar esse caráter brutal do regime norte- americano. E com aval dos seus cidadãos.

A convenção republicana, como a convenção democrata, não passam de shows. Não duvido muito que, num futuro próximo, dançarinas de can can sejam introduzidas ou nos intervalos, ou nos momentos de abertura e encerramento.

É que quando da visita de Nikita Kruschov aos EUA, o primeiro ministro soviético ficou espantado com as ditas e afirmou ao presidente Eisenhower que aquilo era imoral.

Nem Kruschov entendia de can can, muito menos de Shirley MacLaine, que fazia o papel principal no filme do mesmo nome e Eisenhower achou graça.

Bush é capaz de transformar o espetáculo em show da liberdade contra a opressão e o terror.

As eleições americanas costumam ser a festa que precede à barbárie de seus governos.

Contra os povos do mundo.